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Galo de Barcelos

Galo de Barcelos

Conta a lenda do Galo de Barcelos que, supostamente no século XVI, a localidade de Barcelos vivia momentos de grande tensão devido à ocorrência de um crime, para o qual não existiam ainda quaisquer suspeitos.

Certo dia, um galego desconhecido que lá passava foi considerado suspeito e foi preso pelas autoridades. O homem insistiu na sua inocência explicando que estava em peregrinação a Santiago de Compostela como forma de cumprir uma promessa, mas mesmo assim o juiz local condenou-o à forca. Quando chegou a hora da sua execução, o galego pediu para falar com o juiz que o tinha condenado. Os guardas aceitaram e levaram-no até à residência do tal juiz, que no momento se banqueteava com os amigos. Interrompendo a refeição, o galego voltou a insistir na sua inocência mas não conseguiu convencer ninguém e foi mandado embora, mas antes de sair apontou para o galo assado que estava numa travessa em cima da mesa e gritou:

-“É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.”

Risos e comentários não tardaram. O homem foi levado para ser enforcado, mas ninguém ousou comer aquele galo. Momentos depois, o galo ergueu-se da travessa e cantou bem alto. Após o susto e espanto geral, o juiz saiu a correr em direção à forca para tentar salvar o homem, afinal inocente. Quando lá chegou, encontrou o galego pendurado mas ainda vivo devido ao nó mal dado e mandou retirá-lo. O homem foi mandado em liberdade e seguiu o seu caminho.

Este episódio terá marcado a memória de todos os habitantes de Barcelos, mas acima de tudo a memória do galego. Anos mais tarde, já no século XVII, o galego voltou a Barcelos para erguer um pequeno monumento em granito, em agradecimento a Virgem Maria e a São Tiago. Este monumento é conhecido como o Cruzeiro do Senhor do Galo e encontra-se atualmente no espólio do Museu Arqueológico de Barcelos.

O Galo de Barcelos foi ganhando a sua fama com o tempo, sendo atualmente um símbolo tradicional português com fortes ligações aos conceitos de liberdade e fé. Este galo de cores garridas varia na forma e porte demonstrando a aceitação das diferenças sociais na tradição popular que se vive em Portugal.

Este artefacto é hoje uma interpretação moderna da identidade da nação e um forte elemento de marketing, associado ao turismo e à perceção que os seus viajantes levam consigo no coração.

Saudade

Saudade

A palavra “saudade” é provavelmente a mais impar da língua portuguesa. Praticamente impossível de traduzir, ela é de origem Latina e só existe em português e galego. Como resultado de um estudo britânico que reuniu a opinião de mil tradutores profissionais, a palavra “saudade” foi considerada como uma das mais difíceis de traduzir.

A origem da palavra está diretamente ligada à tradição marítima que remonta ao tempo dos descobrimentos portugueses, particularmente devido à separação de entes queridos na época do Brasil colonial. Esse sentimento era recíproco e compreendia não só a falta das pessoas como também das situações vividas, de sensações ou sabores afastados pelo tempo ou até mesmo de lugares do passado. É portanto um sentimento transversal a diversas situações e que se reflete no estado de espírito de quem lembra, invocando uma nostalgia singular. Está relacionada com a ausência, a falta, a perda, a separação, a incompletude, a privação, mas acima de tudo com o amor e, como consequência, o destino.

A saudade existe entre a negatividade da solidão e a positividade do ato de saudar, tornando-se não apenas um sentimento instantâneo mas sim uma realidade com a qual temos de viver.

Esta palavra está muito presente na música popular portuguesa e na poesia. O Fado, estilo de música portuguesa que trata o destino, invoca fortemente o sentimento de saudade.

No Brasil, esse sentimento está também muito retratado na música popular e nos sertanejos, sendo o Dia da Saudade comemorado a 30 de janeiro.

Doces de ovos conventuais

Doces de ovos conventuais

A origem da doçaria conventual, à base de ovos, remonta ao século XV quando o açúcar entrou na tradição gastronómica dos conventos. Muitas das mulheres nestes conventos eram residentes por imposição e para passar o tempo dedicavam-se à culinária. Os dotes das mais experientes passavam para as mais novas, que por sua vez também tinham tempo para aperfeiçoar as técnicas ou simplesmente criar variações das mesmas.

Mais tarde, perto do século XVIII, o açúcar tornou-se um ingrediente muito abundante nos conventos, vindo maioritariamente do Brasil Colonial. Durante os séculos XVIII e XIX Portugal era provavelmente o maior produtor de ovos e também o maior exportador de claras, muito utilizadas para engomar os tecidos dos mais ricos do mundo ocidental ou como purificador na fabricação de vinho branco. O excesso de gemas servia para alimentar os animais que posteriormente serviriam de alimento para as pessoas, mas mesmo assim as sobras eram imensas. Na altura era também comum oferecer-se galinhas aos conventos, existindo sempre abundância de ovos. Como tal, foi ainda durante o século XVIII que a doçaria conventual se desenvolveu fortemente, aliando o excesso de gemas à abundância de açúcar. Não é por acaso que a maior parte dos doces conventuais tenham nomes divinos ou com grande relação ao cristianismo, como por exemplo papo de anjo, toucinho-do-céu, barriga de freira, pudim Abade de Priscos, Dom Rodrigos, Fatias de Bispo, entre tantos outros.

Foi no século XIX, quando foi decretada a extinção das Ordens Religiosas em Portugal, que a doçaria conventual se alastrou. Muitas freiras e monges ficaram sem abrigo e foram albergados por variadas famílias abastadas. Para além de passarem as suas receitas para as criadas destas famílias, também vendiam os seus doces como forma de sobrevivência. Desta forma, a doçaria conventual foi-se misturando com a doçaria popular. Na doçaria popular é notável uma maior presença de farinha e poucos ovos, enquanto a conventual começa por usar muito açúcar e muitos ovos (principalmente gemas) e farinha quase inexistente. Estas duas técnicas de doçaria foram-se fundindo com o passar do tempo, transformando-se naquilo que se conhece hoje como a doçaria tradicional portuguesa.

Tripeiros e Alfacinhas

Tripeiros e Alfacinhas

Entre as duas mais importantes cidades de Portugal, Lisboa e Porto, existe uma rivalidade ancestral com séculos de história, porém pode dizer-se que é uma rivalidade saudável e que promove a competitividade, tal como no desporto. Como tal, a ocorrência de alcunhas era inevitável.

No Norte de Portugal, mais concretamente no Porto, os habitantes são conhecidos como tripeiros. Conta a lenda que em 1415, na preparação da armada para a conquista de Ceuta, toda a carne foi oferecida para os expedicionários sobrando apenas as tripas, que permaneceram no Porto e serviram de alimento. Um dos pratos típicos da região é ainda hoje as tripas à moda do Porto. Tripeiros foi a alcunha que adquiriram os habitantes desta cidade devido ao sacrifício sofrido.

Mais a sul de Portugal, em Lisboa, os habitantes são conhecidos como alfacinhas. Conta-se que durante um cerco à cidade de Lisboa, os seus habitantes ficaram praticamente reduzidos ao consumo das alfaces que era sua tradição plantar, pois usavam-nas para variados fins. Pensa-se que a sorte e sobrevivência desses habitantes dependeram em grande parte das alfaces, razão pela qual são apelidados ainda hoje de alfacinhas.

Testemunhos

"Obrigada por todo o profissionalismo e conhecimento da terra natal, isso para nós foi ótimo, porque o atendimento de vocês superou as minhas expectativas. Continuem com este serviço personalizado de qualidade. Sucesso, vocês merecem."

Laura e Camille, São Paulo, 2016-08-08

"Quero agradecer à Portugal B'side pela excelente organização da minha viagem a Portugal, foram momentos inesquecíveis. Muita coisa para ver e fazer, paisagens lindíssimas, para não falar na excelente gastronomia e no clima. Um beijinho muito especial de obrigado por toda a dedicação."

Sergio e Aline, Rio de Janeiro, 2016-07-25